quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
UMA AUDIÊNCIA COMIGO MESMO
Um vizinho aqui do bairro, muito amigo meu, andava atarefadíssimo, e sempre desabafava comigo me dizendo que quase não tinha tempo para o almoço e o jantar. Fisioterapeuta e massagista, atendia umas trinta pessoas por dia e acabava, é claro, não atendendo satisfatoriamente a ninguém. Tinha na sua mesa de trabalho, não sei por que cargas d`água, três telefones sendo que, não raro, os três tilintavam ao mesmo tempo... Nas raras vezes em que conversávamos, numa eventual folga sua, ele reclamava do excesso de trabalho, mas não atinava com a melhor maneira de safar-se da canseira diária.
Telefonei a ele certa manhã pedindo sua ajuda para a solução de um problema doméstico. Ele se prontificou a ajudar imediatamente. Expliquei que não era para mim. Perguntou-me para quem era e levou um enorme susto quando eu disse:
- "A ajuda é para Você mesmo; ajudá-lo para um encontro de Você com Você!"
Pensou, a princípio, que eu estivesse brincando. Assustou-se de novo ao ouvir:
- "Você não sente. Mas esta correria sua talvez esconda, sem Você notar, certo receio de encontrar-se consigo mesmo..."
Leitor benévolo que me dá a honra de ler-me: Sabe que isto de medo de encontrar-se consigo mesmo é mais comum do que a gente imagina? Mesmo que Você vá à igreja e se empolgue com as palavras do pregador, mas, voltando para casa e enfronhando-se de novo em mil atividades, cadê coragem para vasculhar a própria vida; ver, por dentro, o coração; sentir de perto os pensamentos, os anseios, os sonhos, tomar a resolução de buscar um novo rumo para a caminhada diária?...
Trabalhei durante trinta anos em escolas públicas, e tive contato com inúmeras pessoas que me pareciam dinâmicas, decididas, fortes, sabendo pensar, sabendo querer, mas na hora de voltar-se para si mesmas, de olhar até o íntimo do íntimo, mil pretextos surgiam, mal escondendo o meio pavor ou o pavor e meio de olhar de cheio o próprio eu...
É claro que não alimento, de modo algum, o desejo de se gastar um tempo excessivo em virar e revirar o próprio eu.
Mas entre o exagero de gastar horas, dias, meses, anos, em total virada interior e o exagero de fugir de um encontro consigo mesmo, nem vacilo em desejar que, ao menos, umas tantas vezes na vida, é bom reservar um tempinho para uma audiência com o próprio eu...
Permita-me que eu lhe diga: quando Você notar que anda atravancando a vida, quando perceber que seu dia é puro atropelo, correria, sem tempo para nada e para ninguém; quando as vinte e quatro horas não bastarem e andar precisando de mais horas suplementares; quando se surpreender irritadiço, meio-elétrico, dando choque, soltando faísca - trate com urgência de marcar um bom encontro consigo mesmo!
Lembre-se então: é mais do que tempo! É mais do que hora! E a hora é agora!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
MESMICE... O QUE É ISTO?
Quem de nós tem direito de estranhar que os trens e os bondes se irritem, se rebelem, descarrilem?... (Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife, + 28/08/99).
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O problema é que o automóvel, o ônibus, o caminhão, a motocicleta, não se prendem a trilhos e a fios...
Você, meu benévolo leitor, já pensou como deve ser monótono ir e vir sempre pelo mesmo caminho, sempre pelos mesmos trilhos, sem poder afastar um passo, nem prá cá, nem prá lá?...
O pretenso cansaço dos bondes e dos trilhos é o cansaço dos que devem enfrentar todos os dias, os mesmos caminhos, os mesmos ambientes, as mesmas caras, as mesmas vozes.
O pretenso cansaço dos bondes e dos trens é o cansaço dos que têm o trabalho monótono, sempre igual, sempre o mesmo, o mesmíssimo...
Charles Chaplin, o querido Carlitos dos velhos cinemas (será que alguém se lembra dele, de seu chapéu, de sua bengala?), pois é, ele se imortalizou criticando a sociedade que obriga, tantas vezes, o homem a um só gesto, como apertar um parafuso de uma peça em construção, o dia inteiro, sempre do mesmo modo.
A parte dele na fábrica é só aquele parafuso, na qual ele deve dar aquele aperto, da entrada ao sair do trabalho. Acaba ficando com o trejeito de apertar o parafuso, mesmo quando já saiu da fábrica, e caminha pelas ruas, para casa... sempre no mesmo gesto automatizado de apertar o parafuso...
Como deve ser monótono o dia todo mergulhar as xícaras de café em água quente, no bar da esquina, escaldá-las, colocá-las no balcão para que outro colega de serviço nelas derrame o café para os fregueses!...
Em geral os fregueses tomam o seu cafezinho e nem pensam no cansaço de quem os serve, nem pensam na monotonia de quem o dia todo escalda xícaras ou enche as xícaras de café...
Graça maravilhosa que Deus pode nos dar é a de vencer a rotina e fazer tudo como se fosse a primeira vez.
Ver todos os dias o mesmo rosto, ouvir as mesmas vozes, circular nas mesmas salas, contemplar as mesmas paisagens é correr o risco de adoecer de "mesmice" (o mesmo, sempre o mesmo, a mesma, sempre a mesma)... Você, católico, meu irmão, já pensou no martírio do padre no confessionário, ouvindo todo dia, toda semana, todo mês, todo ano, sempre os mesmos pecados, pecadinhos e pecadões de seus fièis? A eterna monotonia do pecado?
Peçamos a Deus olhos de criança! Procuremos ver todos e ver tudo pela primeira vez. Pensando bem, tudo é novo cada manhã. Nós próprios somos o que éramos ontem mais a experiência que ontem adquirimos e afeitos às surpresas que o dia de hoje vai apresentar...
O mesmo acontece com todos e com tudo em volta de nós... A luz que desce do alto, hoje, não é a que ontem nos banhou com seus raios. O vento que passa por nós, trazendo-nos frescor, assanhando-nos os cabelos, é o irmão do mesmo vento de ontem, mas não é o mesmo de ontem.
Digo a minha neta Isabela que é bom divertir-se em descobrir os aspectos sempre novos de tudo o que parece sem mudanças....
- "Sempre novo??" - me contesta ela. E completa: -"Quem dera que a cara do meu professor de Matemática se mudasse para melhor a cada nova aula!..."
Seja lá como for, eu me alegro descobrindo como a Criação de Deus, com a colaboração consciente de homem e de mulher, recomeça cada dia, é nova cada manhã, renasce cada madrugada!
domingo, 9 de fevereiro de 2014
PALAVRAS... NADA MAIS QUE PALAVRAS!...
Estou lendo atualmente, nestas minhas férias perpétuas de aposentado, o livro do monge cisterciense norte-americano, Thomaz Merton, intitulado "Reflexões de um Espectador Culpado".
É um livro com uma análise crítica profunda e contundente deste nosso mundo moderno e, criticando-o, Merton não deixa pedra-sobre-pedra sem o humor cáustico de sua profunda aversão à mentira e à falsidade deste mundo, do qual ele se afastou totalmente e se enclausurou num mosteiro, como que numa fuga e no intento muito construtivo de procurar com mais liberdade e verdade o Reino de Deus.
De minha parte, verifico que os padres católicos e os pastores protestantes subitamente começaram a achar urgente assegurar a seus "fiéis" que o "mundo" não está nos dizendo a verdade - mas nem sempre mostram com clareza de que mundo estão falando.
Aliás, com frequência esses mesmos que tentam botar em nossas cabeças que "o mundo" nos está enganando, creio que eles desejam significar apenas aquele mundo que se recusa a ouvir suas mensagens, pois elas estão a quilômetros de distância dos homens e mulheres deste nosso século.
Não falam do mundo deles, de seu rígido sistema de fragmentos do passado, mantido com dinheiro espúrio e com exércitos treinados para destruir e matar.
Acho que é preciso tomar a sério as reflexões de Merton, e é bem por isso que de uns tempos para cá botei de lado jornais e demais penduricalhos de forjar mentalidades. Passei a dar crédito apenas aos Poetas que, no dizer de Merton, são os únicos que ainda continuam a criar mundos novos e a tentar modificar este mundo atual, que parece estar caindo de podre.
Nas pegadas do monge norte-americano, creio mesmo que só os Poetas estão ainda seguros, em seu senso profético, de que o mundo nos mente dia e noite. E o meu Poeta predileto, que criou o dístico seguinte, o disse muito bem:
"Eles aguardam
a guerra,
e a novidade deles
é guerra
em todo o sempre
e o dizem
para que
para que
os sucos de suas mentes
possam fluir
possam fluir
e os seus sucos também mentem".
Este diálogo psíquico, químico e esquizofrênico de notícias, glãndulas, sucos, opiniões, auto-afirmação, desespero: isto é "o mundo", e nenhum Poeta precisa doutrinar a respeito. Ele está aí para qualquer um ver, e o vêem. Vêem como as pessoas agem nesse "mundo":
Desenvolvem
argumentos a fim de falar,
falando
tornam-se irreais,
falando
tornam-se irreais,
a vida real perde a solidez,
perde em extensão,
ficam apenas com o seu futebol
ficam apenas com o seu futebol
porque o futebol não é um jogo,
mas um argumento de discussão
e uma diferença de opinião
são fantasmas que põem em perigo
Nossa Alma
Notícias, argumentos, e os sucos, como afirma o Poeta, continuam a fluir. Só que não queremos as notícias e os argumentos, mas só o fluir dos sucos. O estímulo deles é que é a mentira, e não podemos dispensá-la, porque a mentira é também a nossa vida.
E o Poeta continua sua peregrinação inútil:
Lobos podem caçar com lobos
mas nós humanos perderemos nossa humanidade
nas cidades, nas lojas e supermercados
da avidez e do consumismo.
O Poeta, felizmente, ainda conhece um outro mundo mais real, não o mundo das mentiras e do ar viciado de ônibus e de trens, mas o mundo da vida. E este mundo da vida é manifestado através de palavras; não é, porém, um mundo de palavras.
O que me ensinou o Poeta é que o importante não são as palavras, mas a vida.
Se eu escutar de modo particular a linguagem do mundo, falando de si próprio, só me dirá mentiras, e serei enganado pelas suas palavras. Isto, entretanto, não acontecerá, se eu conseguir escutar a vida em sua humildade, fragilidade, silêncio e tenacidade, como o Poeta fez escutar a uma pequena judia, nos guetos deste mundo:
Isabela, pequena semente,
semente pequena, humilde, diligente.
Vem comigo, vamos olhar o mundo.
E essa semente haverá de falar.
Palavras!
Não haverá outras palavras mais verdadeiras no mundo,
Senão as que nossas crianças falam.
E eu não posso deixar de perguntar ao Poeta:
- "Serão as palavras das crianças mentiras também, como a de nós adultos - ou mentiras piores ainda?" E antes que o Poeta possa responder, eu acrescento: quando se tem uma visão mais profunda da realidade, não há necessidade de perguntar. Porque há a Esperança, há o Mundo que se refaz à ordem de Deus, sem nos consultar, a nós, que nos passamos por sábios.
Lembremos que o Poeta não fez perguntas em relação a mentiras, nem com elas se preocupa. O Poeta vê apenas o Mundo a refazer-se como semente viva plantada por Deus. E assim poderemos, confiantemente, levar pela mão uma criancinha à janela, para olhar os edifícios falsos, cintilantes de luzes falsas.
O cintilar deles é falso? Bem, mas a luz que os ilumina é verdadeira.
E é esta luz que procuro, com a menina que levo pela mão.
O cintilar deles, mesmo falso, deixou de ter importância. É até mesmo belo.
Porque, na verdade, não é o cintilar deles que nos ilumina.
Quem nos ilumina é a Luz da Sabedoria de Deus!
E, com esta afirmação mais gongórica que verdadeira - (porque raramente sou sincero ao escrevê-la), coloco ponto final neste meu texto de hoje, que me saiu como os versos de poetas nefelibatas, cujas palavras não dizem nada, porque são apenas palavras, e nada mais que palavras.
Como a vida...
E, com esta afirmação mais gongórica que verdadeira - (porque raramente sou sincero ao escrevê-la), coloco ponto final neste meu texto de hoje, que me saiu como os versos de poetas nefelibatas, cujas palavras não dizem nada, porque são apenas palavras, e nada mais que palavras.
Como a vida...
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Por que? Por que, Deus meu?
Sozinho ali na sala, enquanto a Cida arrumava os quartos, lembrando-me da Raquel e do Júlio, me invadiu uma tal melancolia, que chegou a me assustar. E chorei, chorei desabridamente, confesso, pois me foi muito difícil manter o auto-controle. Na verdade, meu coração pedia "revolta", em lugar de "melancolia". Mas, como cristão católico que sou, é-me impossível falar em revolta com relação a Deus, Pai de todos os pais.
Mas creio que mesmo assim até cometi o pecado de blasfêmia, pois apostrofei a Deus com veemência pela morte precoce - duas mortes em três anos - dos meus dois filhos, ainda na metade de suas vidas.
- " Por que? Por que?" - Foi o questionamento que fiz a Deus, lembrando-Lhe que Ele também foi Pai, e com toda certeza, segundo nosso senso comum, chorou de igual modo a morte cruel de Seu Filho, Jesus, o Messias.
Deus, ser supremo de todas as coisas, em quem não é imaginável o sofrimento, pois Ele está acima de todas essas contingências humanas, - o que dizer de Seus sentimentos diante da morte de Jesus?
Será que Ele permaneceu impassível por trás das nuvens, enquanto na Terra Seu Filho feito homem padecia os mais terríveis tormentos?
E que dizer diante do sofrimento de um pai e de uma mãe terrenos, que apostrofam a Deus: - "Por que? Por que, Senhor? Eu Vos chamo de Pai, e Vós permaneceis impassível escondido lá no Céu, atrás das nuvens,enquanto eu, como outros pais aqui na Terra, padecemos tormentos indizíveis com a morte de filho e filha tão queridos?"
Um padre da paróquia, questionado por mim, respondeu-me que Deus também é Pai, e teve um Filho, Jesus, morto sobre terríveis sofrimentos, pregado em uma cruz.
Respondi ao padre que a comparação não tem sentido. Como comparar Deus com um homem? Deus eterno, infinito, todo-poderoso, imune a qualquer sofrimento, a qualquer dor? Comparar Deus a um ser frágil, contingente, mortal, sujeito a todos os dissabores do mundo, tem alguma lógica ou, em outras palavras, é lícita uma comparação entre o Criador e o criado?
É possível dizer que Deus Pai SOFREU realmente pela morte de Jesus, ou esse sofrimento é apenas uma metáfora, pois Deus é imune ao sofrimento?
Eu sofri pela morte de meus dois filhos = Deus sofreu pela morte de Seu Filho.
Confesso: não posso aceitar tal paralelismo.
O Absoluto e o Contingente estão em planos metafisicamente opostos, e entre eles não pode haver nenhuma comparação ou paralelismo.
Os melhores instruídos do que eu, que me expliquem essa antinomia... Estou totalmente no escuro, chorando noite e dia a morte precoce da Raquel, minha filha, e a morte precoce do Júlio, meu filho!...
Peço a misericórdia de Deus para o Júlio, que num momento de desespero deu fim à própria vida; e tenho a certeza de que minha filha Raquel, por toda a retidão de sua curta mas benéfica existência,, descansa na paz do Pai de todos os pais.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
A SINFONIA DO MUNDO
Outro dia, não tendo nada mais útil para fazer, resolvi subir ao mirante do edifício mais alto de Curitiba, e dali contemplar a cidade lá embaixo, iluminada pelo sol que já se preparava para sua despedida...
Quando, de um ponto alto da Cidade se contemplam os edifícios e mais ao longe as casas, muitas vezes este fato se torna para mim instantes de meditação e de prece.
Com toda certeza há Casas felizes em que os amigos, reunidos, cantam, para algum aniversariante, "Parabéns prá Você"...
Quem sabe, ali adiante, lá pelos lados do Bacacheri, se festeja o nascimento do primeiro filho de um casal, ou, em casa de felizes Avós, a vinda do primeiro neto?...
O champanhe espoucou ali no Cabral: o dono da Casa, depois de muita espera e ansiedade, foi promovido a Gerente da Empresa em que trabalha.
Mais além, muito além, no imenso Boqueirão, tenho certeza de que não há champanhe, mas está correndo guaraná e coca-cola a rodo, pois chegaram dos cafundós de Minas Gerais, para uma curta temporada em casa dos parentes, que há muito tempo não viam, pai, mãe e meia dúzia de filhos, estes, muito felizes por estarem pela primeira vez numa Capital de Estado.
Contemplando deste mirante a hospitaleira Curitiba, que se espraia a perder de vista, claro que tem de haver Casas felizes. E eu, como religioso que sou, acho muito importante rezar pelas pessoas felizes: não só porque a felicidade hoje em dia, neste nosso Brasil afundado na inflação e na corrupção dos poderosos, é dom concedido a poucos e, nas poucas horas em que se pode ser feliz, é hora também de pensar em Deus e agradecer.
Mas deste ponto alto de Curitiba, debaixo de muitos telhados que daqui eu contemplo, deve haver muita tristeza e sofrimento, esperando pela ajuda e pela prece de irmãos!
Sei, com certeza, que em vários lares há pessoas enfermas, causando preocupação aos familiares. Há luta entre a vida e a morte. Há agonizantes quase partindo desta vida...
Quanto sofrimento em todos os hospitais da Capital! Só quando se entra em qualquer um deles, é que se pode ver como, a cada hora e a cada instante, há Gente se torcendo de dor!...
Debaixo destes telhados vistos cá do alto, ou dentro desses enormes Conjuntos Residenciais, quantos dramas que passam desapercebidos para os de fora...
Você já pensou como é duro voltar para Casa, e dizer à mulher e aos filhos que recebeu aviso prévio da Firma?
Ou chegar em Casa e ter que dizer que o dia inteiro procurando emprego deu em nada, e a esperança de consegui-lo vai enfraquecendo a cada dia?
Será demagogia dizer que, em muitas Casas da periferia o alimento vai ficando raro, que há sub-alimentação ou mesmo, abertamente, existe fome?...
Debaixo destes tetos que contemplo aqui de cima, quanto sofrimento moral! Desentendimentos entre marido e mulher, brigas com filhos adolescentes e um tanto quanto rebeldes, esposas abandonadas, maridos desempregados, solidão, solidão!
Espírito Santo de Jesus! Sopra entendimento e paz em todos os lares! Sopra calor humano, amizade, amor sobre todas as pessoas! Sopra, principalmente, esperança, coragem, alegria em todos os lares!
Sopra pensamentos positivos em todas as mentes, em patrões e em empregados. Envia sono tranquilo e sem pesadelos a todos os insones. Tu mesmo, Jesus, sejas Companhia, Alento e Fé, para todos os que se sentem vencidos, marginalizados pela Sociedade egoísta, esmagados e sozinhos!
Espero e peço que Tu permitas, alargando o coração e vendo, através de minha Curitiba, todas as cidades do mundo, que todas elas encontrem espaço em Teu coração de Irmão e Amigo. Espero e peço que todos nós, juntos, em comunhão Contigo, façamos chegar até ao Pai de todos os pais uma estranha e imensa Sinfonia do Mundo, seja do Mundo Feliz que canta e se diverte, mas principalmente do Mundo que chora e que padece, não encontrando remédio para seus males. A não ser em Ti!....
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
A GRANDEZA DO ANTIGO TESTAMENTO
A grandeza do Antigo Testamento, em nosso tempo, começou a se tornar cada vez mais evidente em algumas das ótimas teologias do Antigo Testamento escritas por especialistas católicos e protestantes como Von Rad, Eichrot, Bittencourt, Thomaz Merton, e muitos outros.
Na verdade, esses autores vieram nos lembrar que o Antigo Testamento é um universo de louvor, do qual homem e mulher constituem parte viva e essencial, lado a lado com os exércitos angélicos. Ora, o louvor é a mais segura manifestação da verdadeira vida.
Neste sentido, a característica do "Xeol", a região dos mortos, é a ausência de louvor. Os salmos são, por seu lado, a mais pura expressão da essência do louvor na vida do Universo: Javé está presente a Seu povo quando os salmos são cantados com vigor triunfante (e não apenas murmurados e meditados individualmente na barba de cada um)...
Permita-me o benévolo leitor trazer um fato presenciado por mim quando estudante de Teologia, em São Paulo. Na belíssima capela da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, reunimo-nos todos, Reitor, Mestre de Disciplina, Padres, Religiosos de várias ordens e congregações, e os seminaristas, para ouvir o então Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, que nos dava a honra de sua visita.
Na Santa Missa celebrada por ele, justamente na festa da Ascensão do Senhor, a "Schola Cantorum" da Faculdade, à entrada do ilustre visitante no templo, entoou ao som do poderoso órgão de tubos o hino "Jubilate Deo omnis terra" (Cantai a Deus vossa alegria, terra inteira). E o "Jubilate" foi cantado com tanta empolgação, que pensei que íamos arrancar o teto da capela.
Onde encontrar isso hoje em nossa liturgia? Será um verdadeiro grito de triunfo da liturgia, o triunfo que experimentaremos quando a beleza divina e angélica se apoderar de todo o nosso ser, na alegria do louvor a Deus e a Cristo ressuscitado!
Se o louvor a Deus é a mais segura manifestação da verdadeira vida cristã, ele possui também uma dimensão histórica. E aqui é importante lembrar os pais da vida monástica no Catolicismo, sejam eles Pascásio Radberto, ou Odo de Cluny, ou ainda Pedro, o Venerável, sem percebermos que esse senso de arrebatamento no louvor nasceu nos mosteiros da Idade Média. No entanto, talvez, com o passar dos anos e dos séculos, isso se embotou, e acabamos ficando hoje com os hinos insossos cantados em nossos templos e igrejas.
A beleza de Deus, celebrada no Antigo Testamento, é mais bem lembrada por homens e mulheres que atingem e percebem seus limites, sabendo que seu louvor não pode alcançar a Deus. É então que o longo e majestoso "jubilate" deve outra vez entrar em cena, mesmo que seja no recesso de nossa alma.
Então, o nosso louvor atingirá não só o coração de Deus, mas também o coração da própria Criação, encontrando, por toda parte, o belo da majestade de Javé, nosso Deus.
A grandeza do Antigo Testamento, eu o creio profundamente estará, então, na descoberta que nele fizermos da necessidade do louvor a Deus, em todos os instantes de nossa vida de cristãos.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
SOBE... FALA... ORDENA... AMA...
Sobe
tendo sempre o coração preparado
para descer...
Fala
desejoso de ouvir, de escutar, de entender...
Ordena
mas com alma
de quem apenas obedece
Àquele de cujos planos divinos
Tu e eu
devemos participar.
Ama
sem medir, sem calcular.
Amor que exige amor de volta,
amor com dosagem milimetrada
com cálculo,
com restrições,
com medo,
pode ser tudo
- menos Amor!
É ou não importante a quem sobe estar preparado para descer? Quem desce, sem estar preparado, quem imaginava andar sempre pelas alturas, se amargura, se enche de travo...
É ou não importante a quem fala ser capaz de ouvir, desejar atender? Quem não sabe ouvir, quem só sabe falar, quem quer ser o único a falar, fique sabendo que só é ouvido quem ouve, quem sabe ouvir e gosta de ouvir...
É ou não importante a quem dá ordens, dar ordens como quem sabe receber ordens, como quem sabe obedecer?
Cada vez mais, quem só sabe mandar, quem pretende mandar a gritos e mais do que gritos, será obedecido apenas por fora: por dentro será odiado, desprezado, ridicularizado.... Só manda de verdade quem manda sem mandar, quem manda pelo coração...
É ou não importante lembrar a quem pensa que ama, a quem deseja amor, crescer no amor, que amor que exige pagamento ( = quero a quem me quer; meio quilo de amor a quem de amor me der meio quilo; um quilo a quem me der um quilo), isto é comércio, não é amor! Todo amor com dosagem, com cálculos, com restrições, amor com medo, pode ser tudo, menos Amor!
Será que tudo isso é bonito demais para ser verdadeiro? Será que tudo isso é para Anjos e não para criaturas humanas que pisam no barro e na lama, que tropeçam e caem, que se convertem e minutos depois voltam a pecar?...
Claro que Eu e Você somos frágeis e pecadores. Mas devemos confessar que há Criaturas que crescem interiormente, se aperfeiçoam no dia-a-dia de sua vida...
Você e eu temos visto gente descendo e até sendo posta para rolar morro a baixo, sem perder a paz de espírito, sem perder a tranquilidade interior
Você e eu temos visto Criaturas que falavam por todas as gentes, sem dar vez aos outros, sem aprender também a escutar...
Você e eu temos visto Criaturas que não sabiam mandar, mas não sabiam mesmo, adquirir tanto mais força quanto mais sumia a agressividade...
Creio que em matéria de crescimento no amor, há lições esplêndidas: há quem tenha feito toda uma caminhada de um pseudo-amor, prá lá de egoísta, que nem merecia o nome de amor, até o mais puro e belo Amor.
Nada como tentar! Nada como ter a coragem de começar! Você e eu, meu benévolo leitor, não deixemos para amanhã... Que seja hoje mesmo!
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