terça-feira, 14 de maio de 2013

O MISTÉRIO DAS MÃOS


          Você, corajoso leitor, que se aventura por estas mal traçadas linhas, certamente usou suas mãos para ligar seu micro, por acaso deu  de cara com este meu texto e, levado mais pela curiosidade despertada pelo título desta minha arenga, decidiu-se a ler o que escrevi. Já que tomou essa decisão, eu tomo a liberdade de perguntar-lhe:
          Você algum dia teve a pachorra de refletir sobre esta riqueza tão grande que a criatividade e o amor  de Deus por nós levou-O a premiar-nos com estas duas maravilhas que são as nossas mãos? Pois é, temos duas mãos e nós as usamos para mil e uma coisas, e talvez nunca tenha passado pela nossa mente o dever de agradecer ao Criador por nos tê-las dado.
        Este dom que Deus nos deu, as nossas mãos, se soubermos usá-las, como certamente foi a intenção de Deus, prestam-se a mil gestos e ações altamente construtivas, grandes e belas, se as usarmos dentro das perspectivas do Criador.
        Mãos postas, acompanhando nossas preces na igreja ou no recesso do lar. E eu penso, com minha experiência de pai, na delicadeza com que minha mulher ensinava nossa filhinha Raquel a juntar suas mãozinhas, quando à noite devia rezar um Pai Nosso antes de dormir.
       Mãos de minha avó Julieta, mãos trêmulas, segurando um rosário, enquanto pedia pelos seus outros filhos e netos espalhados aí por Minas Gerais e pelo Paraná afora...
        Mãos como que milagrosas, dos cirurgiões e obstetras, que ajudaram, com extrema habilidade, meus quatro filhos a nascer.
      Mãos calosas de trabalhadores, pedreiros e marceneiros, que nestes dias andam atarefados, procurando dar um aspecto melhor à casa onde moramos.
       Mãos ágeis de datilógrafas, que vencem por minuto, um número incrível de batidas, nos papéis que fui  procurar no cartório.
      Mãos de músicos, da banda que aos domingos e dias festivos vêm tocar no coreto que fica aqui na pequena praça de meu bairro; mãos que me deliciam e me transportam, pela música, para além do espaço e do tempo.
       Mãos de linotipistas, que compõem o jornal que todo dia de manhã cedo me traz uma síntese de tudo o que acontece no Brasil e no mundo.
      Não posso esquecer-me das mãos que acariciam: mãos de minha mãe, mãos de minha esposa, mãos de meus filhos e netos...
      Seria facílimo continuar. Mas, ao lado de tantas coisas maravilhosas que nossas mãos podem fazer, é preciso lembrar também, infelizmente, que há mãos que se fecham, egoístas e avaras. Há mãos, e a imprensa diária está cheia delas, mãos que se crispam, cheias de ódio, chegando por vezes ao extremo, capazes de de arrasar, de ferir, de matar...
     Há mãos que fecham a porta, diante de quem pede alguma coisa de que necessita, e que merecia ser bem  atendido...
      Há mãos preguiçosas, especializadas em jogar em cima dos outros o trabalho que lhes cabia fazer...
    Há mãos que roubam de ricos e até de pobres. E o noticiário policial nos noticia que há mãos que sequestram pessoas.
     Felizmente para nós, Deus nos concedeu sacerdotes que usam suas mãos para nos abençoar, para erguê-las ao céu orando por nós, mãos que, na igreja, durante o Santo Sacrifício da Missa, nos trazem o Pão Consagrado, a Eucaristia, a presença de Cristo na Hóstia consagrada!
      Ó Cristo Jesus, em Tua Vida Mortal, usaste Tuas Mãos de modo admirável! Elas passaram fazendo o bem! Por isso, faça com que nossas mãos estejam também a serviço do Bem e da Caridade!
       Que nossas mãos, à imitação das Tuas, sejam semeadoras de Tranquilidade, de Esperança, de Amor e de Paz, para todos quantos com quema convivemos neste nosso mundo!



    

      
      

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