quarta-feira, 29 de maio de 2013

A ESPERANÇA DO MUNDO


           Neste meu segundo texto que tem por tema a Esperança, lendo Charles Moeller,
 no terceiro volume de sua monumental obra "Literatura do Século Vinte e Cristianismo", deparei-me com estas palavras:
          - "É ao Ocidente, de agora em diante, que se propõe a questão da esperança do mundo. Ele tem de optar pelo delicioso tédio de Françoise Sagan, ou pela calma e paciente busca da terra prometida, que se entrevê de maneira sóbria na obra de Bombard, e de maneira lírica na de Ladislau Reymont. Num tempo em que a avalanche do mal em todos os setores da vida humana se torna avassaladora, é indispensável ouvir uma voz de verdadeira esperança, aquela que nossos irmãos humanos percebem como um apelo ao futuro. É necessário que se ouça essa voz. E não a minha."
          Na verdade, a esperança, de que fala Charles Moeller, esconde-se no tempo em que vivemos. Basta-nos ter olhos de ver e ouvidos para ouvir, para que ela se nos torne presente. Deus, nosso Pai, prepara a revelação da esperança cristã àqueles que ama. E Deus ama a todos, indistintamente, sem distinção de sexo, de raça, de cor, ou de crença, qualquer que ela seja, mesmo que seja contra Ele.
            Será que eu consigo, neste mísero blog, fazer com que este cântico de esperança que é um triunfo, embora modesto, seja ouvido, por ser ressuscitado de mortos?
           Tenho a firme certeza de que a síntese do movimento e do repouso, da ordem e da aventura, do risco e da certeza, é a duração criadora, o compasso da esperança.
             Sei também que a história de Alain Bombard, que acabei de ler, ele, que foi um náufrago voluntário, que partiu, que esperou no seio do desespero, mas que confiou na Providência, lutou, agradeceu a Deus, e chegou ao seu destino. Os vivos que continuamente estão passando por catástrofes terríveis, os mártires que em todo o mundo morrem por aquilo que creem, um dia chegarão à terra prometida, talvez antecipando-se a nós, porque Deus lhes pediu que iniciassem mais cedo a viagem "ao fim da noite",  como a Abraão e como a Tobias, do qual se diz que "por ter agradado ao Senhor, era preciso que a tentação o assaltasse"; como a Jó, que "amaldiçoou o dia de seu nascimento", mas que também "se cala e espera", como a Cristo, enfim, na cruz. Nesses olhos que não têm mais lágrimas, uma luz misteriosa nascerá.
           Essa terra prometida é decerto "a praia de Barbados", como no livro de Alain Bombard, mas também, visto que toda terra é de "Deus",  essa terra prometida é  o próprio Senhor Jesus Cristo, que não está "algures",  está "aqui", conosco, até a consumação dos séculos.
         Ele está com os felizes, é certo, mas principalmente com os desgraçados, os desesperados, sobretudo quando estes não O conhecem.


     
            
         

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