sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

JESUS E O REINO DE DEUS



            Ementa:

             Jesus não pregou uma teoria teológica, nem uma nova lei, nem a Si mesmo, mas o Reino de Deus: a causa de Deus  (vontade de Deus) que irá triunfar e que é idêntica à causa do homem e da mulher  (= o bem do homem e da mulher).

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            Lendo e meditando os textos evangélicos, chego à conclusão de que a Pessoa de Jesus desaparece atrás de Sua causa: a pregação da iminente vinda do Reino de Deus.

            a) Reino de Deus:  A mensagem de Jesus não era, nem de longe, tão complicada como os meus catecismos para a primeira Comunhão, ou como os volumosos manuais de Teologia Dogmática, que durante quatro anos tentei assimilar na Faculdade de Teologia, em São Paulo.
           Jesus anunciava em figuras e parábolas o Reino de Deus que estava para vir; que a causa de Deus triunfaria, que o futuro está nas mãos de Deus.
           Portanto:
           - Não apenas o senhorio permanente de Deus concedido desde o início da Criação - como apregoavam os fariseus de Jerusalém - mas o Reino vindouro de Deus do fim dos tempos.
           - Não a teocracia ou democracia religioso-política dos revolucionários zelotes, a ser instaurada violentamente. Mas o imediato e absoluto domínio universal de Deus, a ser aguardado sem violência.
          - Não o fator de vingança em prol de uma elite de perfeitos no entender dos essênios e monges do Qumram. Mas a jovial mensagem da ilimitada bondade e incondicional Graça de Deus, exatamente para os perdidos e miseráveis.
          - Não um reino a ser construído pelos homens e mulheres através de exato e rigoroso cumprimento da Lai e de moral mais elevada, segundo a concepção dos fariseus. Mas o Reino final a ser criado pela ação livre de Deus.
          b) Tensão entre presente e futuro: 
          1 - O presente mostra aos homens e mulheres o futuro absoluto de Deus: nada de absolutizar o nosso presente às custas do futuro. Creio que não se pode esgotar no presente todo o porvir do Reino de Deus. O presente é e permanece por demais triste e incoerente para que já possa, em sua miséria e pecado, ser o reino de Deus.
          O mundo e a sociedade são demasiadamente imperfeitos e desumanos para que já possam ser o perfeito e o definitivo. O Reino de Deus não fica parado em seu início, mas deve chegar definitivamente à plenitude. O que foi começado com Jesus, deve ser terminado com Jesus. A espera imediata do Reino não foi ainda satisfeita. Mas, nem por isso, a espera será interrompida.
          2 - O futuro remete homem e mulher para o presente:  nada de isolar o futuro em detrimento do presente. O Reino de Deus não deve ser uma consolação para o futuro, uma satisfação da piedosa curiosidade humana pelo futuro, uma projeção dos temores e dos desejos insatisfeitos.
          Exatamente a partir do futuro devem homem e mulher ser inseridos no presente. Exatamente a partir da esperança devem o mundo e a sociedade atuais ser, não apenas interpretados, mas transformados. porque Jesus não pretendeu dar um ensinamento sobre o fim, mas fazer uma exortação para o presente em vista do fim.
          b) Causa de Deus = causa do homem e da mulher:
          Considerando este Reino vindouro, tenho consciência de que Jesus pregou uma norma suprema para o comportamento de homem e de mulher. Não qualquer lei ou dogma, quaisquer cânones ou artigos de uma lei.
          A norma suprema deixada por Jesus é: a vontade de Deus. Seja feita a Sua vontade. Isto, para mim, soa bastante piedoso. Mas - me vejo forçado a perguntar - o que é esta vontade de Deus?
          Compulsando os Evangelhos, chego à conclusão de que a vontade de Deus não é simplesmente idêntica a uma determinada lei, dogma ou regra de vida. De tudo o que Jesus disse e fez, torna-se claro que a vontade de Deus não é outra coisa que o bem geral de homem e de mulher.
          As bem-aventuranças do Sermão da Montanha bem como as inúmeras narrações de curas e expulsão de demônios nos esclarecem que importa não apenas o bem da alma, mas do homem e da mulher como um todo, no presente e no futuro.
          De que bem-estar e de que pessoa se cogita aqui concretamente? Não tenho condições de fixá-lo em princípio e legalmente: trata-se, em sempre novas situações, do bem-estar bem determinado de cada pessoa que precisa justamente de mim, e que então é meu próximo.
          Chegando a este ponto, o que significa isto, concretamente, segundo o pensamento e a ação de Jesus? É o que pretendo tratar no próximo blog, se Deus assim o permitir...

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Aroldo Teixeira de Almeida é bacharel em Teologia dogmática e Direito Canônico pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Capital paulista.

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