terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O QUE SE ENTENDE POR "SALVAÇÃO"?



          A Teologia nos ensina que Salvação é vida, é justiça, é amor. Ainda, o laço que une homens e mulheres entre si, na unidade. É obra comum. Quem assistiu ao filme "Hiroshima meu amor" (por sinal um belíssimo filme), ouve ainda todas as manhãs um homem que passa tossindo debaixo da janela. A felicidade pessoal que não se tivesse aberto para essa "janela de Hiroshima" ficaria estéril. Estamos juntos para o melhor e para o pior. Estamos ligados a esta Terra, situados, encarnados, e a salvação só pode ser a Justiça e o Amor neste mundo, no qual se desenrola a peregrinação humana.
          "Este mundo"? Nós, que cremos, sabemos muito bem disto: para que o mundo seja o lugar da chegada do Reino - (como o celebramos neste tempo litúrgico chamado "Advento") - ele deve ser transfigurado, deve tornar-se "novo Céu e nova Terra".
          Quem é incrédulo suspeita que haja nessa transfiguração um certo "escamotear", uma mistificação, que faz esquecer a Terra de homens e de mulheres. Mas Jesus é a salvação, pois Ele é o Salvador. Em última análise, a salvação não é uma noção abstrata, mas uma Pessoa, a do Verbo feito carne, Jesus, cujo nome quer dizer justamente "Salvação". A Boa Nova, que é Jesus Cristo, pode tocar e converter os corações.
           Mas quem conhece verdadeiramente a Jesus Cristo?
           Escrevem-se livros para se falar do Cristianismo. Frequentes vezes, porém, se verifica que quase nada se disse verdadeiramente de Jesus. Ele é o "Chefe que deve conduzir à Vida": não há salvação em nenhum outro, senão em Jesus Cristo. Ele é nossa esperança, nossa paciente expectativa, que nos concede ao mesmo tempo a força para esperar. É aquele que nos faz ouvir, num estremecimento de alegria, as palavras do apóstolo Paulo, que ouvimos na pregação em nossas igrejas:  - "A nossa salvação está agora mais próxima do que quando abraçamos a Fé. A noite vai muito avançada, e já se aproxima o dia."
          -"Custos, quid de nocte?"  (Vigia, o que diz a noite?)  - canta o profeta Isaías,  "o evangelista do Antigo Testamento".
          - "E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois precederás o Senhor para preparar-Lhe os caminhos, para dar ao Seu povo a ciência da salvação pela remissão dos pecados."
          Estas palavras de Zacarias, testemunhadas pelo evangelista Lucas, eu as faço minhas, pois desejo  aqui e agora fazer ecoar a voz de um João Batista, no deserto, a "dar ao povo a ciência da Salvação'.
         O termo "salvação", comum a todas as religiões, exprime a esperança de homens e mulheres. A raiz em hebraico significa "soltar os laços". Fundamentalmente é a sensação vivida de um perigo, em que homem e mulher estariam ameaçados de sucumbir. Só Deus é o "rochedo da salvação" para Israel. Só Ele dará a felicidade dentro do Reino Messiânico, onde reinarão a justiça e a equidade.
          Todo o povo é chamado a sair em permanente êxodo do reino de trevas e morte para a terra prometida, terra de luz e de vida eterna, em uma "nova criação". Resposta a este apelo existe apenas uma: a Fé, a ardente Esperança da salvação. Os humildes, os de coração contrito, só eles podem chamar a Javé de seu Salvador.
          Jesus traz a salvação, livrando do pecado, que é morte total. Salvação é vida: ser salvo é "ser transferido do reino da morte para o reino da vida", pois a salvação é Jesus ressuscitado.  Sua vida ressuscitada nos redime. "Só na Esperança é que somos salvos", e a Esperança não nos ilude, "porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado."
          Soltar os laços de um povo que acredita na vida eterna dada por Jesus aos que se arrependem do pecado: soltar os laços naquele Reino em que hão de imperar a justiça e a equidade; soltar os laços numa  criação nova em que reinaremos com Cristo: eis o que nos há de colocar numa situação avantajada no sentido desta verdade: "Tenho apenas uma alma, e é preciso salvá-la".
         Depois de dois mil anos de Cristianismo, talvez já sejamos mais capazes de entender as palavras a nós deixadas por Jesus de Nazaré:
         - "Amai-vos uns aos outros" e, principalmente, vivê-las no dia-a-dia de nossa vida, perpassadas da imensa alegria da Criação, na plenitude universal que elas encerram!...

                                                              ********************
(Aroldo Teixeira de Almeida é bacharel em Teologia Sistemática pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da PUC, em São Paulo).

                                                            
    

Nenhum comentário:

Postar um comentário