segunda-feira, 16 de junho de 2014

- "Que é a verdade?"

   

          Evangelho de João, 18,37-38:
          Disse Jesus:
          - "Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade."
          E Pilatos lhe pergunta:
          - "Que é a verdade?"

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          Todos nós estamos convencidos de que desejamos acima de tudo a verdade. Nada há de estranho nesse desejo. É natural que homem e mulher, seres inteligentes que são, desejem a verdade.
          No meu modesto entender, entretanto, me parece que, na realidade, o que desejamos não é a "verdade", mas, antes, "estar certos". 
          Procurar a verdade pura por ela mesma  pode nos ser natural, mas não somos capazes de agir sempre a esse respeito de acordo com nossa natureza. O que procuramos não é a verdade pura, mas a verdade parcial que justifique nossos preconceitos, nossas limitações, nosso egoísmo.
          Não é isso "a verdade". É apenas um argumento bastante forte para provar que estamos "certos". E, geralmente, nosso desejo de estarmos certos é correlativo com a nossa convicção de que alguém está errado (ou, talvez, que todos o estejam).
          Por que queremos provar que os outros estão errados?
          Porque precisamos que estejam errados. Pois se eles estão errados e nós certos, nossa inverdade torna-se verdade; nosso egoísmo torna-se justiça e virtude; nossa crueldade e cobiça não podem ser equitativamente condenadas. Podemos repousar tranquilamente na ficção que resolvemos abraçar como sendo a "verdade". 
          De fato, o que queremos não é a verdade, e sim que nossa mentira dê provas de estar "certa", e que nossa iniquidade seja aceita como "justa". É isso que temos feito para perverter nosso apetite natural, instintivo de verdade.
          Assim não é para admirar que tenhamos ódio. Não admira sermos violentos. Não é também para admirar que nos esgotemos preparando  a guerra!
          Com isto, oferecemos ao eventual inimigo mais uma razão para acreditar que ele está certo, que tem de se armar, que deve preparar-se para nos destruir. Nossa mentira lhe proporciona a base de verdade sobre a qual ele ergue sua própria mentira, e as duas mentiras, a nossa e a dele, juntas, reagem, produzindo ódio, violência, assassínio, desastre.
           Retrato de nosso tempo atual.

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Aroldo Teixeira de Almeida é professor aposentado de Língua Portuguesa e Francesa, do Quadro Próprio do Magistério Paranaense. Bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Capital paulista.
       
       
       

       
       

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