Faz hoje seis meses que meu filho Júlio César partiu desta vida para a Casa do Pai de todos os pais. Não falei em "morte", mas em "partir" porque, mesmo não sendo meu caso, há muita gente que não gosta de falar em morte.
É que não vemos a Morte como a vêem os Santos e os Poetas.
Para eles - os Santos e os Poetas - a Morte é o começo da verdadeira Vida. Sem dúvida nós, seres humanos contingentes e finitos, estamos ligados à Terra. Temos aqui uma missão que nos é confiada pelo próprio Pai.
Ele, ao fazer-nos participar da Sua própria natureza divina, encarrega-nos de dominar a Natureza e completar a Criação. Bem por isso torna-se cada vez mais apaixonante nossa passagem pela Terra. Nunca homem e mulher tiveram tantas condições de cumprir a ordem do Criador, de agirmos na Terra como
co-Criadores, e como co-Libertadores.
Mesmo assim eu não posso esquecer que estou de viagem, que sou peregrino, que não tenho aqui morada permanente. Com a agravante de que sou pecador e, não fosse a proteção e a misericórdia de Deus, o que não seria a minha vida, diante da como que invencível tendência para o pecado?
Não obstante, sei que tenho laços profundos com a Terra e com os Homens e Mulheres meus Irmãos, e continua sendo verdade que sou mesmo peregrino, em marcha para meu destino eterno, que é a Casa do Pai.
Que ninguém pense que eu seja um egoísta, por querer partir, dia mais, dia menos, em direção à Casa Eterna, onde não haverá mais dor nem sofrimento.
Por isso, é que repito que devo sempre ver a Morte como a vêem os Santos e os Poetas.
Para os Santos, a Morte não aparece como um horrendo esqueleto com uma foice na mão.
Aliás, os Santos nem falam em morrer: preferem falar em partir!
Portanto, não devo mais falar que meus dois filhos, primeiro a Raquel, e agora o Júlio César, morreram, mas que eles partiram em viagem definitiva para a Casa da Eternidade...
Para o "último andar", como disse Cecília Meireles em maravilhoso poema:
No último andar é mais bonito
É lá que eu quero morar
Os passarinhos lá se escondemPrá ninguém os maltratar
No último andar
De lá se avista o Mundo inteiro
Tudo parece perto, no ar
É lá que eu quero morar.
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Há três anos atrás publiquei nesta mesma página, inteiro, o belíssimo soneto da Cecília Meireles, por ocasião do falecimento de minha saudosa filha Raquel.
Confesso que agora, três anos depois, a emoção e a tristeza me impediram de reproduzi-lo até o fim, porque choro de novo outro falecimento, o de meu filho Júlio César - faz hoje seis meses de sua partida definitiva para a Casa do Pai de todos os pais.
Não sei se estou blasfemando ou não, mas a minha prece de todo instante, dia e noite, é uma só, uma interrogação que não me sai da mente: - Por que, meu Deus, por que?
O silêncio de Deus me parece esmagador, e eu estou constantemente contemplando e questionando as alturas do Céu. E sem resposta.
Mas ambos estão lá - minha filha Raquel e meu filho Júlio.
Que Deus os tenha na Sua Paz!
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